O prefeito, dois vereadores e um servidor comissionado de Urussanga foram presos pela Polícia Civil. Os mandados de prisão contra Luis Gustavo Cancellier (PP), Elson Roberto Ramos (Republicanos), o Beto Cabeludo, e Thiago Mutini (PP), e do servidor comissionado, foram cumpridos nesta terça-feira, dia 16. Ambos investigados da Operação Terra Nostra, desencadeada pela 2° Delegacia de Combate à Corrupção, no dia 21 de março. No dia da operação, a polícia chegou a sequestrar o valor de, aproximadamente, R$ 1,35 milhões de bens para garantir possível ressarcimento do dinheiro público desviado.

Conforme apurado pela reportagem da Rádio Marconi, Beto é o proprietário de um dos terrenos que foi vendido para a prefeitura por um valor, supostamente, superfaturado. Segundo as investigações da Polícia Civil, o vereador arrematou o terreno em 2021 pelo preço aproximado de R$ 55 mil. No entanto, no início deste ano, o mesmo imóvel foi vendido para a prefeitura no valor de R$ 643 mil.

Apesar de ser proprietário, o terreno estava no nome de um ex-sócio de Beto Cabeludo, estando inclusive no portal da transparência da prefeitura. Durante as investigações, diversas testemunhas relataram às autoridades que Beto seria realmente o proprietário do lote, tendo ele arrematado e que, inclusive, estava tentando vender nos últimos meses. Além disso, investigações da Polícia Civil indicam que os dois possuem uma relação e que o terreno seria, de fato, do Beto.

O valor superfaturado seria para pagar a “compra” de apoio político de Beto, já que o vereador era, até o início de 2023, opositor ao prefeito Luis Gustavo Cancellier (PP). Inclusive, Beto foi um dos responsáveis por fazer a denúncia contra o prefeito no Ministério Público Federal sobre más aplicações de recursos públicos, como as obras da rua Sílvio Ferraro, no bairro Da Estação. No entanto, a posição de Beto mudou completamente na metade de 2023, gerando descontentamento do próprio MDB, no qual o vereador fazia parte. Na ocasião, em julho, Beto desistiu de um recurso especial que pedia o retorno da sequência da Comissão de Inquérito Processante (CIP) que investiga o prefeito Luis Gustavo em relação a possíveis irregularidades do serviço de caminhão-pipa. A desistência já indicava a aproximação do vereador e do prefeito.

Além do lote do Beto, a operação também averiguou a compra de um loteamento para a construção do Parque Industrial 3. Segundo a Polícia Civil, o município já tem dois parques industriais, sendo que o primeiro parque tem lotes disponíveis para cessão de uso desde 2019, enquanto que o segundo não se encontra nem com as obras finalizadas e, mesmo assim, o município adquiriu outra porção de terra com valor, pelo o que vem se evidenciando, superfaturado em mais do dobro.

As informações que resultaram nas denúncias e investigações foram geradas após comentários de um empresário urussanguense. Isso porque ele, sendo um dos integrantes da comissão de avaliação de bens e imóveis, estranhou o valor cobrado à prefeitura para a compra do loteamento para o Parque Industrial. O empresário não teria assinado o documento autorizando a compra, o que gerou a sua substituição na comissão da prefeitura.

As investigações da Operação Terra Nostra, em março, apuraram, ainda, eventual falsidade ideológica relacionado ao laudo de avaliação formulado pela comissão de avaliação constituída pelo chefe do executivo que, em síntese, viabilizou a aquisição destes dois imóveis, assim como apura a eventual participação de outras pessoas.

 

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Fonte: Rádio Marconi | Foto: Divulgação/RádioMarconi