A vacina contra a dengue chegou ao Sistema Único de Saúde (SUS) e pode representar um significativo avanço no combate à doença. Conforme informado pelo Ministério da Saúde, a campanha, que terá início em fevereiro, terá inicialmente alguns públicos específicos como alvo da vacinação.

A Qdenga, fabricada pela empresa farmacêutica japonesa Takeda, será o imunizante aplicado. As 750 mil doses recebidas representam o segmento inicial de aproximadamente 6,5 milhões esperadas ao longo de 2024, destinadas à integração no SUS.

O Ministério da Saúde delineou critérios específicos para a distribuição inicial, priorizando municípios que atendem às seguintes condições:

  • População igual ou superior a 100 mil habitantes;
  • Municípios com altas taxas de transmissão de dengue na última década, com consideração também para picos recentes;
  • Crianças e adolescentes com idades entre 10 e 14 anos, um grupo demográfico identificado para priorização devido à frequência notável de hospitalizações relacionadas à dengue nessa faixa etária.

No entanto, a população mais idosa está atualmente excluída da campanha, pois a aprovação da Anvisa restringe o uso da Qdenga a indivíduos com idade entre 4 e 60 anos. Além disso, a quantidade limitada de doses que chegará em 2024 impede a distribuição geral da vacina.

O Ministério assegurou que a lista de municípios participantes na campanha e a estratégia detalhada de vacinação serão divulgadas nos próximos dias.

Os critérios foram estabelecidos em colaboração com o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), alinhando-se com recomendações da CTAI (Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização) e da OMS (Organização Mundial da Saúde), que enfatizou a priorização de crianças e adolescentes neste estágio.

Quanto ao cronograma de disponibilidade, o Ministério antecipa que as primeiras doses serão administradas em fevereiro. As 750 mil doses recebidas necessitam de liberação pela Alfândega e pela Anvisa antes de serem encaminhadas ao INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde).

O Ministério solicitou processamento prioritário, esperando que todas as liberações sejam concluídas até a próxima semana.

Além do primeiro lote, uma entrega subsequente de 570 mil doses é esperada para fevereiro, totalizando 1,32 milhão de vacinas fornecidas pela Takeda sem custos para o Ministério da Saúde.

O governo também garantiu a compra de mais 5,2 milhões de doses, a capacidade máxima de produção para 2024, com entregas programadas até novembro.

Este esforço cumulativo resultará em 6,52 milhões de doses disponíveis para o ano, o suficiente para imunizar aproximadamente 3,2 milhões de brasileiros, considerando o esquema de vacinação em duas doses.

Vacina contra a dengue de graça no Brasil

O Brasil se destaca como o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público universal. O Ministério da Saúde incorporou a vacina contra a dengue em dezembro de 2023, uma análise que foi realizada de maneira ágil pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias) no SUS, que recomendou a incorporação.

A Qdenga foi aprovada pela Anvisa em março do ano passado e, nos estudos clínicos, demonstrou uma eficácia geral de 80,2% para evitar contaminações e de 90,4% para prevenir casos graves.

A SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) indica a proteção na rede privada para todos que fazem parte do grupo etário elegível (4 a 60 anos), tanto os que nunca tiveram a doença quanto aqueles que já foram infectados anteriormente.

Dados de dengue em Santa Catarina

Santa Catarina enfrenta uma significativa elevação nos casos de dengue, conforme apontado no recente relatório da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica do estado). O levantamento abrange o período de 31 de dezembro de 2023 a 15 de janeiro de 2024, revelando 2.052 casos prováveis em 79 municípios.

Este número representa um impactante aumento de 105,2% em relação ao mesmo intervalo no ano anterior, destacando a urgência das medidas de controle e prevenção da doença.

A Dive esclarece que a categoria “casos prováveis” engloba notificações, confirmações, suspeitas e casos inconclusivos, excluindo apenas aqueles descartados.

Nesse contexto, todos os casos suspeitos notificados permanecerão como prováveis até o encerramento da ficha de acompanhamento.

No decorrer desse período, foram identificados 2.884 focos do mosquito Aedes aegypti em 146 municípios, sendo 154 destes considerados infestados pelo vetor. Esse dado ressalta a disseminação do mosquito transmissor da dengue em mais da metade dos 295 municípios catarinenses.

A gravidade da situação no Estado fica ainda mais evidente pela confirmação de uma morte em Joinville, o município mais populoso de Santa Catarina. Além disso, há duas mortes sob investigação em Blumenau, no Vale do Itajaí, e Garopaba, na Grande Florianópolis, conduzidas pelas secretarias municipais com o respaldo da Secretaria de Estado da Saúde.

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